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Portfolio :: Thiana Biondo

Posted by Thiana on Oct 11, '08 2:22 PM for everyone

Só consegui entender Karl Marx até a parte em que ele fala da mais-valia. Depois disso, tudo complica demais pra mim. Como só administro meu salário, nenhum grande desastre à vista. Conta no banco e cartão de crédito são o máximo que chego a usar.

Com meu limitado conhecimento econômico, entendo que juros é algo a ser evitado por mim e qualquer outro simples consumidor. Não por um londrino amigo meu. Os olhos deles brilharam quando falei que no Brasil, a taxa gira em torno de 12% ao mês. Jovem investidor, deve ter imaginado lucro à vista.

Na Inglaterra, quando vi juros de 7% ano, fiquei maravilhada. Esse ano, até mesmo antes do início da crise financeira, me decepcionei quando a taxa do meu banco saiu de um dígito para dois. Mas, minha surpresa maior foi ver uma amiga da Lituânia dizer que não sabia que se paga a famosa fatura do cartão de crédito todo santo mês.

Estava revoltada porque, depois de alguns meses, o banco transferiu dinheiro da conta corrente para saldar o débito. Imagino que nos antigos países soviéticos o uso do dinheiro de plástico seja um pouco menos comum do que no Brasil.

Conselhos de James

Na recessão de 2008 - a imprensa britânica demorou meses para admitir o uso da palavra -, a falta de pagamento dos empréstimos é uma das origens. Não acredito que a falta de informação da minha amiga tenha sido uma causa. Talvez, a própria sedução do mercado. Dinheiro fácil, paga-se depois, a festa domortgage (empréstimo específico para a compra de casa).

Em algumas semanas, ficarei atenta ao conselho que recebi de um inglês analista de mercado. Será de muita prudência ter dinheiro em espécie em casa, porque os cartões não irão funcionar. Como as pessoas vão começar a quebrar as vidraças das lojas, querendo comida, então, o melhor a fazer é estocar umas latinhas de sardinhas - prefiro atum -, pacotes de biscoitos e duas garrafas de água. Para a minha sede, três.

Sorte dele que tem carro. Irá deixar o tanque cheio e tudo preparado, porque se as coisas piorarem, ele foge para York, interior ao norte da Inglaterra. Já estou pensando em como fazer o caminho de volta pra casa. Será que os aviões estarão funcionando?

E, até nos relacionamentos amorosos, a crise está fazendo estragos. Uma amiga não sabe o que fazer depois que o namorado, recém-demitido do recém-falido Lehman Brothers, pediu um tempo. Confuso e sem saber o que irá fazer na vida, não tem cabeça para o momento a dois. E já ouvi dizer de outra que está quase no mesmo imbróglio. O rapaz desta, que também trabalha em banco, está cada vez mais ausente. No capitalismo, nem o romance escapa da recessão.